"É tempo de se falar, mostrar e compartilhar o conhecimento das mulheres, de uma maneira mágica, mística. É tempo de as mulheres descobrirem mais sobre seus próprios mistérios - seus processos de mesntruação e nascimento e os ciclos de suas emoções. É tempo de compartilhar isso com os homens. Muitas mulheres dizem: 'O que posso compartilhar? Eu mesma não compreendo.' Bem, é tempo de elas se voltarem para dentro de si mesmas e dizer: 'O que é isto que estou sentindo? Se tivesse de explicar a alguém o que é ser uma mulher, o que diria? O que posso fazer para me tornar mais como deusa num corpo de mulher - mais uma criadora de magia?' A Deusa interior é aquela que sabe - que leva informação de um sistema para outro."

Terra: Chaves Pleiadianas para a Biblioteca Viva - Barbara Marciniak

domingo, 21 de agosto de 2011


O sangue sagrado sai de minhas entranhas
Meu ventre encarnado desencarna poder
Com uma força tamanha

Quer desengravidar a vida grávida
Gravada no corpo, no rosto, no poço

Mergulhando nas profundezas
Do meu ser-existir
Encontro aconchego no útero-sala
Quente e escuro
No bater compassado
Do meu coração escudo:

Tum bate, tu parte.

Pode ir, não há problemas
O colorido vermelho que meu templo emana já relembra:
Sou Deusa, grávida fêmea
Gravidez consciente que gera sementes pequenas
Tu rega, cresce assunçena
Eu rego, são quaresmeiras
Enraizando que nem tronco de Aroeira
Voando alto que nem revoada de borboletas

Aterrizar o Céu, elevar a Terra
Meu corpo é um canal
O momento é de entrega.


Escrito em 18.08.2010 e ainda atualíssimo!!!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Rio que em mim corre...

Existe um rio que corre em mim e ora seca, vira córrego, ora enche, vira enchente. Ele - minhas emoções, meus sentimentos, minhas lágrimas, minha saliva, meu sangue (menstrual, visceral), minha libido, minhas secreções vaginais, minha criatividade, meu inconsciente - é tudo que sou, tenho e carrego de mais ancestral, o quê me conecta com a Terra e todos os elementos que a compõe. É a manifestação mais fidedigna da Deusa, da fêmea, da loba, do selvagem; é a lua que me rege por dentro e, por isso, se integra de ciclos e não-linearidade. A inconstância que sou vem das águas que também sou - e que se moldam, se doam, se retraem. Mesmo quando calma e aparentemente estática, estão em movimento: desde o mais profundo de mim as partículas iniciam uma dança, até surgir como ondas na superfície. Eu posso ser cruel, derrubar árvores e casas (inclusive a minha) com a força de minhas águas; mas também posso ser suave e fazer amor com as pedras que me habitam, acariciando a dureza e imperfeição que sou.
Sou um fluxo constante e mesmo quando calmo, a correnteza que há em minhas águas não permite que elas se represem, parem. Fazer isto seria como afogar-me, matar-me aos poucos, tirar o oxigênio que necessito pra viver. As minhas águas precisam de movimento, precisam transbordar e seguir em busca de novos rios, precisam esquentar-se com os raios do sol e não manter-se gélida, dura, intransponível.
Não me peça para ser pela metade, eu não sei ser assim. Preenchido de água ou de ar, meu cálice interno só consegue existir a partir do limite de suas bordas ou para além delas, nunca menos que isso. Esta sou eu, quer você queira ou não! Me pedir para dosar à conta gotas o meu amor é como me pedir para represar o rio que sou; e eu não quero e não acredito que o meu rio tenha que deixar de fluir. Mas minhas águas a partir de agora voltarão a fluir rumo às florestas quentes e úmidas onde habitam minhas raízes, bem longe das montanhas frias e secas de suas origens.


Foto: Gustavo Paterno - www.midiativismo.wordpress.com

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A força da Loba que há em ti

Quando você fechava os olhos, para onde ias? Quando a dor chegava feito ondas, onde você se acarinhava? Longe de minhas mãos, longe da imensidão de tua mente, dentro de teu corpo que se entregava, havia um lugar sagrado pra te acolher? Em outra dimensão, em outro plano, em outro tempo, em outro espaço...
E todas aquelas emoções guardadas, onde estavam? No seu ventre, no seu coração, na sua garganta (em forma de nó), em suas mãos? Nos seus olhos que choravam ao recordar do passado, nas lágrimas que lavavam teu rosto com as expectativas do futuro, no sorriso que te inundava junto com todas as sensações daquele presente. No escuro e profundo do teu inconsciente, que durante aqueles momentos intensos jorravam e afloravam para a superfície que também és e te habita.
Era teu filho que te comunicava, teu filho que trabalhava para vir ao mundo. Era a força da Loba que há em ti, o animal selvagem que és, que somos e que nos une enquanto mulher. Era tua vontade de continuar e realizar um sonho, tua mestra interior que segurava tua mão e que te falava ao ouvido - siga, siga, você é capaz!
A sabedoria está no corpo e você é uma guerreira! Acreditar é essencial e você me ensinou isto! Talvez eu tenha desacreditado em algum momento, não me conectado à força da Loba que há em mim, e por isto não estava ao seu lado quando a cabeça coroou e o Vitor rompeu entre os dois mundos - morrendo e renascendo neste Universo. Eu consigo ver seu sorriso de felicidade, sua alegria e sua realização; e espero imensamente ter ajudado!


Com amor à Luciana e Vitor, pela força de um trabalho de parto de mais de 48 horas, uma indicação de cesárea nas últimas horas, e um parto vaginal no fim depois de uma cesárea anterior!

domingo, 7 de agosto de 2011

Peito que te quero cheio


"Quando seu bebê chorar à noite, guie-se pela penumbra da casa até encontrá-lo e finja que está vivendo numa caverna, em algum clã de uma Era remota. Surpreenda-se por tê-lo deixado longe de seu corpo, exposto ao frio. Não há mamadeiras, nem geladeiras, você não tem fogão. Entenda que o drama da existência de um bebê em sua vida nada tem a ver com chocalhos, bibelôs ou chupetas. Você precisa salvá-lo, defendê-lo de feras e em breve o amarrará em seu corpo para ir à floresta. Só você pode salvá-lo, com seu leite, seu corpo, seu calor. Somente você pode fazer dele uma criatura forte e destemida e isso ocorrerá pela viagem dos hormônios em seu corpo, eles levarão as mensagens por meio do seu leite e de suas atitudes. Parir e amamentar é coisa do eu antropológico em nós.Você só está aqui porque uma linhagem de mulheres e homens um dia, lá atrás, salvaram-se, naturalmente, na luta pela sobrevivência. Todo o resto civilizado é prazer que podemos desfrutar. Não deixe que a beleza da civilização, que todos os ganhos culturais que obtivemos te faça fraca e infeliz por ter uma linda criança nos braços."

Por Cláudia Rodrigues, extraído do blog maternagemnatural.blogspot.com
Minha homenagem à Semana Mundial do Aleitamento Materno!!!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Vida-Morte-Vida


Não tenho tido inspiração pra escrever, e me pergunto: pra onde está indo o meu poder criativo que ora transborda feito avalanche, ora seca feito chão rachado do sertão? Existem várias maneiras de criar, e criando o Outro (pessoa, objeto, pensamento, emoção), nos criamos juntos. Quando me encontro em dias escuros, onde os pensamentos estão confusos e as lágrimas vertem dos olhos feito cachoeira no Cerrado, me sinto também criativa, mesmo que no momento da vivência a negação exista - abre-se o chão, eu me afundo mais, enquanto a morte se encontra no canto do quarto, risonha, me seduzindo à dançar. Eu reluto à morrer, mas quando morro, me crio tão fantasticamente, feito Deusa grávida que dá à luz ao seu consorte, fazendo em seguida amor com ele, gerando vida! A morte é criação!
Nos últimos meses tenho morrido diariamente! É como se estivessem apertando o cordão umbilical que permite que o sopro vital entre em minhas entranhas, é como se estivessem arrancado de mim uma parte da placenta que nutre o ser que estou constantemente gestando, é como se algo duro e frio empurasse minha barriga em forma de lua cheia, impedindo-a de crescer mais e mais e mais.
O amor me torna grávida: de vida, de morte, de riso, de lágrima, de gozo, de dor. Sou um turbilhão de sensações e, mesmo que eu tenda a não sentí-las como elas merecem, nos dias de escuridão é como se algo estivesse sendo tirado de mim, me sinto vazia, nua, crua, dilacerada. Quando o dia vem chegando e os primeiros raios de sol tocam meu corpo desnudo, me excito ao me supreender com tanto amor que habita o vazio do meu ser-existir. O amor que é dor, que é distância, que é morte, que é negação, e que também é o oposto de tudo isso!
A loba que me habita sabe por onde caminhar, sabe como agir, sabe porque chora; ela é intensa, forte, capaz, selvagem. Ela sou eu, é minha carne, meu sangue, meu ventre, meu coração, minha psique, minha alma. E ela quer voltar a uivar, correr nas matas de minhas entranhas e beber água dos rios de minhas veias que pulsam morte e vida. Como posso negá-la isso?
Não consigo, me entenda, eu não posso negar a mim mesma o direito de morrer e de viver! Não é falta de amor, é amor desmedido! O nosso amor que habita meu ventre e quer explodir em milhões de constelações, em várias sensações, em múltiplos corações. Ele quer se salvar, acredite!